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Imprevistos acontecem… Meus cinco dias no Vale do Pati.

O nosso segundo dia pelo Pati foi marcado pelos imprevistos, e eles sempre podem aparecer. Como fomos numa semana em que o Vale estava vazio, não reservamos vagas nas casas e também porque queríamos ter essa liberdade de acordar e ver o que fazer na hora, sem estarmos “presas” a um “voucher”. Afinal de contas, fomos para cruzar o Vale a aproveitar a nossa liberdade de escolha. Nossa ideia era sempre acordar e da casa que estivéssemos passar um rádio para a nossa próxima parada e assim garantir o jantar e a dormida. Mas justo nesse dia, choveu muito e os rádios de Seu Joia ficaram sem sinal.

Das melhores casas do Pati. Gratidão a Seu Joia e Dona Leu.

Não tínhamos muita escolha, decidimos partir no final da manhã e seguir rumo ao Poção e de lá dormir em Dona Raquel. Pelas nossas contas, iríamos chegar por voltas das 17 horas em Dona Raquel, mas o volume de água foi tão intenso que não rolou nem o banho no Poção (só paramos para apreciar rapidinho, pois a força das águas estava insana) e a caminhada demorou muito mais que o previsto.

Hora de atravessar mais uma ponte!

Apesar de muita lama, foi uma caminhada linda. Brotaram cachoeiras em todos os lados do Vale e aos poucos o sol foi voltando e intensificando a beleza daquele lugar. Terminamos a trilha com as lanternas ligadas e só conseguimos chegar na casa de Dona Raquel às 18h30. Famintas, molhadas e cansadas, infelizmente não encontramos com Dona Raquel, ela não estava lá, e as duas moças que nos receberam não foram nada simpáticas. Além de dizer que aquilo não era hora de chegar procurando “dormida e janta”, nem quiseram ouvir direito a nossa justificativa de que tentamos avisar, mas a chuva forte deixou a casa de Seu Joia sem sinal. Nem nos deram ousadia… nem olharam direito para o nosso guia. Claro, ele não é um dos guias estrela, acostumado a trazer GRUPÕES para o Vale .

Descansando para seguir…

Mas numa hora dessas, fazer o que? Jessé correu lá em Dona Lea, uma casa que fica bem pertinho, para ver se ela podia nos acolher e, enquanto isso, tomamos uma cerveja no bar de Dona Raquel. Afinal de contas, é preciso relaxar e fazer a economia girar dentro do Vale. Uma pena essa recepção nada calorosa numa das casas mais famosas do Pati, mas segundo a minha amiga que já passou algumas vezes por lá, isso só aconteceu porque Dona Raquel não estava. Pois segundo ela, Dona Raquel jamais receberia a gente dessa forma, no mínimo arranjaria um cantinho para a gente dormir e um prato de feijão, arroz e ovo. Não demorou nem 10 minutos e o nosso guia voltou dizendo: “Dona Lea mandou ir para lá, ela vai dar um jeito”. Obaaa, teremos comida e dormida. E Dona Lea, que tem um jeito de braba, mas é só o jeito, mostrou que o coração dela é enorme. A casa dela estava cheia, mas ela deu um jeito e logo nós já estávamos acomodadas num quartinho, com toalhas limpas em mãos e ela dizendo para gente: “vão tomar logo banho porque vou servir o jantar e vocês devem estar com fome, andem logo, agilizem”!

Dona Lea preparando o rango delicioso.

Comida boa, papo gostoso com os outros hóspedes, cachacinha no bar de Eddie (filho de dona Lea), céu estrelado e muita resenha, finalizávamos mais um dia cheias de gratidão por tantas experiências novas e enriquecedoras. Hora de descansar, porque o “Cachoeirão por Cima” nos esperava logo cedo. Detalhe: a ideia era dormir em outra casa no terceiro dia, mas ficamos tão apaixonadas por Dona Lea, que resolvemos dormir mais uma noite por ali. E a dormida lá, não atrapalharia o nosso roteiro traçado.

Da casa de Dona Lea para o “Cachoeirão por Cima” gastamos cerca de 2 horas. Trilha linda, com algumas subidas e um visual IMPAGÁVEL. Pegamos as cachoeiras cheias, e do mirante principal, as águas que desciam se misturavam com o reflexo do sol, formando vários arco íris.

Das melhores sensações da vida!

É aquele momento que você grita mentalmente PUTA QUE PARIU mil vezes… que lugar, que trilha massa, que dia lindo. Voltamos no fim da tarde e claro que rolou uma cervejinha de brinde e muito papo na cozinha de Dona Lea. Para o quarto dia, a ideia era subir o “Morro do Castelo” e depois dormir na “Igrejinha” para seguir rumo ao Capão. Mas devido às fortes chuvas, o rio que atravessa para pegar a trilha do “Castelo” estava muito cheio e como alguns guias disseram que estava muito escorregadio lá em cima, abortamos a nossa ida. Decidimos ficar por ali mesmo e partir mais cedo para a “Igrejinha”. E lá fomos nós rumo a outra casa. Muitos abraços e beijos em Dona Lea e mais um pedacinho do nosso coração que se espalhava pelo Vale.

Ahhh, Dona Lea!

Da casa de Dona Lea para a “Igrejinha” também leva umas duas horas. Não é muito longe, o problema é a subida interminável! No caminho passamos na casa de Seu Wilson e Dona Maria para beber água, mas eles não estavam. Chegamos na “Igrejinha” e logo João muito sorridente arranjou camas e toalhas. Dormimos num quarto com mais 30 pessoas. A “Igrejinha” é um dos locais que fica mais cheio por conta da proximidade com a trilha de Guiné (um dos caminho mais fáceis e rápidos para o Pati). A “Igrejinha” foi o nosso último ponto de apoio para finalizar a nossa aventura.

Tira bota, coloca bota, tira, coloca… Pati com lama e chuva é isso aí.

A “Igrejinha” é super movimentada, gente chegando, gente saindo, grupos grandes, muita gente que acampa por lá de barraca, gente animada, gente mal educada (na hora da janta tive vontade de reclamar com algumas pessoas…). Foi legal a passagem por lá, mas não é um lugar que gostaria de ficar novamente para dormir. Não por João e pela equipe dele (muito simpática), mas pela quantidade de gente. Como é o ponto mais perto do Guiné, lá virou uma espécie de point dos grupões das agências de turismo, e aí a gente vê e escuta de tudo… sabe aquelas pessoas que foram ao Pati para fazer apenas uma selfie e dizer que tá na moda? Pois é … muita gente nessa vibe, muita gente que não imaginava como seria dividir banheiro, quarto… enfim, infelizmente gente inconveniente, fresca e sem noção, tem em todos os lugares e agências de turismo só visando lucro também, né? Afinal de contas, o Pati não é resort, não é uma trilha para todo perfil de turista, #ficaadica.

Passada a noite sem dormir direito num quarto com mais de 30 pessoas e com alguém que roncava feito onça, era hora de seguir rumo ao Capão. A subida até o Mirante é de matar. Esse último dia foi bem punk pra mim, até porque o corpo já estava bem cansado e o sol bem intenso. Após subir a pirambeira, Jessé parou e pediu uma reunião (rsrsr). Como ele sabia que a volta pelos dois Gerais com o sol na cabeça o tempo todo seria puxada, ele fez a última pergunta: “querem desistir de voltar pelo Capão e pegarmos o caminho de volta pelo Guiné? Vai ser bem mais rápido e menos puxado.”

Mesmo mortas de cansadas, não faltavam selfies e sorrisos!

Claro que NÃO. Fomos para cruzar o Pati. Nada de Barbie Trekking, vamos de Hard Trekking. A volta foi toda com o sol castigando o juízo. Os Gerais do Rio Preto e os Gerais do Vieira são lindos e exigentes com as pernas. Sabem aquele PUTA QUE PARIU mental? Falei umas 1667789 vezes. Fizemos apenas duas paradas (porque não tem sombra) e confesso que achei que daria PT. Sabe aquele momento que o choro vem e a gente segura? Foram os 21 km mais lindos e cruéis. Acho que foi misto das emoções todas que vivemos, com o acúmulo do cansaço e aquela dorzinha emocional de: “poxa, vai acabar, estava tão bom…”

Final dos Gerais do Vieira, já avistando o Capão láaaa longe!

E foi assim como um filme de contos de fadas que, lá de cima, dos Gerais do Vieira, avistamos o Vale do Capão. Que momento mágico! O Capão é lindo e vê-lo depois de ter cruzado o Vale do Pati me deu aquela sensação de: missão cumprida, eu sou PHODA, eu terminei essa porra… Um brinde a mim, um brinde às minha amigas de trilha, um brinde ao nosso guia Jessé, um brinde à vida! Aproveitem a vida todos os dias, ela é feita de momentos, memórias e lembranças!

Fim da aventura. Brindamos com os novos amigos que fizemos pelo caminho!

Lembrança para guardar no coração.

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